Contentar-se vs. Acomodar-se

Quando falamos de contentar, falamos de realização de desejos, de satisfação, de tornar-se alegre, pelo menos este é o significado dessa palavra no dicionário. Porém, se pensarmos no seu significado apenas como realização de desejos e sabemos muito bem que nem todo desejo se realiza, podemos fazer a seguinte pergunta: será possível estar contente sempre? Será possível viver num estado de contentamento, como se não precisássemos realizar mais nada? E isto seria acomodar-se?
Digamos que o contentamento é um estado difícil de ser alcançado para alguns, mas não impossível e irá depender do ponto de vista de cada um em relação à própria vida.
Segundo a visão budista, o contentamento se dá quando se está satisfeito com o que se tem, ou seja, o desejo não está presente na equação, naquele exato momento, por exemplo, você acorda, abre a janela, vê a vista e se contenta em estar ali, sentindo-se alegre, não quer estar em nenhum outro lugar, nem pensa nisso. Este estado propicia a tranquilidade da mente conduzindo à paz e à felicidade e nada tem a ver com acomodação, até porque, tudo o que um budista mais quer é cessar o desejo.
Mas e quanto aqueles que não são budistas e querem apenas avançar em suas vidas, melhorar suas condições, será que ainda assim é possível que alcancem um estado de contentamento? E por que esse estado seria importante para essas pessoas?
Eu, particularmente, penso que sim, se pensarmos na vida como uma estrada onde estamos em movimento, desse modo, nossa visão não fica estática e independente de realizarmos ou não um desejo, de alcançarmos ou não um objetivo, podemos sim experimentar o contentamento por entendermos que o importante é a jornada, o deslocamento de um ponto ao outro, assim, cada momento se torna gratificante e satisfatório. 
Embora sejam visões de mundo e objetivos muito diferentes, o estado de contentamento conduz às mesmas coisas, tranquilidade mental, paz de espírito e felicidade, tudo o que precisamos para que possamos dar o nosso melhor.
Então, dentro desse contexto, acomodar-se seria parar no tempo, se cegar para as inúmeras possibilidades que a vida e sua dinâmica oferecem, seria negar a própria natureza humana, que sim deseja, mas que tem a escolha de canalizar a sua ânsia para aquilo que lhe é benéfico.
Fica a dica, contente-se para ser feliz, porque felicidade é aqui e agora. 

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